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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Mídia como ela é. O Islã como ele não é.

A PROPAGAÇÃO DO NEO-ORIENTALISMO.
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A mídia constrói continuamente uma associação do Islã
com a instabilidade da guerra e a repressão,
criando um estereótipo falso.


É difícil imaginar em meio a onipresença do discurso atual, que há apenas três décadas atrás o Islã tenha sido uma preocupação marginal relegada à periferia da consciência ocidental.

Quando encontrávamos relatos na imprensa durante a guerra fria, era mais provável ser na figura do "mujahideen" enfrentando o "Império do Mal" no Afeganistão.

O Islã aparecia como um aliado benigno das forças da liberdade acampadas em Nova York e Londres.

O que, enfim, o trouxe para o centro das preocupações euro-americanas foram os eventos que ocorreram em 11/09.

O Islã se tornou uma questão local e globalizada ao mesmo tempo, transmitida em incontáveis imagens diárias por todo o planeta.

Desde então, raramente um dia passa sem que se ouça, leia ou assista relatos de algum evento aterrorizante com ligação muçulmana.

A presença das minorias muçulmanas nas capitais ocidentais complicou ainda mais as coisas, agravando a interação intricada entre o local e o global.

Os temores de uma ameaça muçulmana perpétua se sobrepôs a medos arraigados de imigrantes, diferentes, e estrangeiros.


EXPONDO A VERDADE

A cobertura do Islã se transformou em uma indústria especializada na engenharia de imagens, cenas e mensagens.

Em um mundo globalizado, governado pelo poder da imagem, a questão não é mais o que provocou o evento ou o incidente e como ele vem se desenvolvendo na prática, mas como ele é capturado pela câmera e retratado para os telespectadores, ouvintes e leitores em casa.

Alguns podem argumentar que a mídia apenas reporta o que já existe.

Contudo, as coisas não são tão simples no mundo real.

Para a lente nada é neutro nem objetivo.

Ela está sujeita a um conjunto de opções pré-definidas e a cálculos que decidem o que vemos e o que não vemos, o que saberemos e não saberemos.

A mídia não é um espelho refletindo o que está lá fora.
 
O seu papel não é a simples transmissão passiva, mas a criação ativa, a modelagem e a fabricação, através de um longo processo de seleção, filtragem, interpretação e edição.

Os braços ocultos que conduzem as rédeas de nossa mídia - as corporações gigantes da notícia e seus senhores - não são instituições beneficentes de caridade impulsionadas pelo amor à humanidade.


PARADIGMAS DA DIVULGAÇÃO

Dos 57 países da vastidão geográfica e cultural conhecida como o mundo muçulmano,
  • alguns são ricos, outros pobres,
  • alguns monárquicos, outros republicanos,
  • alguns conservadores, outros liberais,
  • alguns estáveis, outros menos,
  • alguns têm mulheres presidindo o Estado, outros lhes negam mesmo o direito de voto,
  • alguns oprimem em nome da religião, outros o fazem em nome do secularismo,  
  • etc etc etc

Mas este mosaico variado é notavelmente ausente da cobertura majoritária do assunto.

O que é misturado, complexo, diversificado e multi-facetado é trasmutado em uma superficialidade aplainada, rasa, sem profundidade, reduzido a um conjunto restrito de narrativas sobre terroristas sedentos por sangue, turbas aos berros, negros turbantes, mulheres espancadas e filhas enjauladas.

O mundo muçulmano se transforma num objeto silencioso que não fala. Mas que se fala por ele.

Um pano-de-fundo anônimo contra o qual se ergue o repórter enviado da metrópole.

Ele - 'o repórter enviado da metrópole' - é o agente de entendimento, aquele que decifra os misteriosos códigos dessa estranha entidade - 'o mundo muçulmano' - e revela seus segredos para nós: é aquele que lhe dá sentido, verdade e ordem.

Em nenhum lugar esse desejo por superficialidade e reducionismo é mais evidente do que nos relatos de conflitos no Oriente Médio.

Aos espectadores são oferecidos alguns poucos minutos durante os quais eles assistem e escutam descrições de destruição e fumaça, carros incendiados, corpos queimados, membros decepados, sangue e viúvas em prantos.

Sem nenhuma tentativa em explicar as causas subjacentes e as histórias das crises em questão, os relatos apenas embaralham ainda mais os mal-entendidos já existentes.

A confusão é tal que os papéis são invertidos frequentemente, confundindo vítima com agressor


PRISMAS DE PERCEPÇÃO

Tudo isso, vem sendo confirmado por vários estudos, como o realizado após a Intifada Palestina por Greg Philo e Mike Berry, do Glasgow University Group.

Os pesquisadores monitoraram horas de cobertura da BBC e ITV sobre a Intifada de 2002, analisaram 200 programas de notícias, e entrevistaram mais de 800 pessoas sobre suas percepções do conflito.

Os investigadores encontraram um nível alarmante de ignorância e confusão entre os espectadores, dos quais apenas 9% sabiam que os "territórios ocupados", foram ocupados por Israel, enquanto a maioria acreditava que os palestinos eram os ocupantes.

Isso não surpreende, dada a cobertura desequilibrada e sua tendência a obscurecer a verdade central do conflito:
  • não nos dizem que mais de 418 aldeias palestinas foram destruídas em 1948,
  • que os seus habitantes foram expulsos em centenas de milhares,
  • que Israel estava em grande parte estabelecido pela força em 78% da Palestina Histórica,
  • que, desde 1967, havia ocupado ilegalmente e imposto várias formas de governo militar sobre os restantes 22%,
  • ou que em sua maioria os palestinos - mais de 8 milhões - vivem como refugiados até hoje.

Reportagens sobra a guerra do Iraque não se saem melhor.

O espectador é levado a pensar que os males do país estão enraizados na sede por sangue de seu povo e no seu amor pela auto-mutilação, com uma seita e/ou etnia obcecada pela destruição da outra.

Os estadunidenses surgem como mediadores benignos, cujo papel consiste em impor a ordem e prevenir os diferentes grupos de exterminar-se uns aos outros.

As causas do estado de caos permanente são cada vez mais varridas para baixo do tapete:
  • o forte exército de 150.000 soldados enviado para invadir um país a centenas de quilômetros de distância;
  • a destruição de sua infra-estrutura;
  • a demolição sistemática de sua memória coletiva nacional;
  • a profanação de sua herança cultural;
  • a "montagem" de uma minoria étnica e de um sistema político baseado no sectarismo;
  • a dissolução do exército a pretexto da dissipação da influência do Partido Baath;
  • o armamento de uma facção contra a outra - primeiro o Peshmarga Curdo, em seguida as milícias xiitas a pretexto de "confrontarem o triângulo sunita" e, finalmente, as tribos sunitas de al-Anbar sob o pretexto de combaterem a Al Qaeda.

O que os noticiários não nos dizem é que os iraquianos continuam a sofrer não porque são árabes, muçulmanos, de pele escura, ou seguidores de uma cultura religiosa "inerentemente violenta", mas porque são vítimas de um jogo de poder impiedoso que os viu como pouco mais que insetos, criaturas inúteis para serem pisadas sem a preocupação de contar os mortos.

O Ocidente parece ter criado sua própria "máquina da verdade" em relação ao Islã, muçulmanos, árabes e Oriente Médio.

Através dela, as lentes são direcionadas e pequenas narrativas são produzidas e reproduzidas ad infinitum.

Os títulos e manchetes podem variar, mas eles retroconduzem a um estreito círculo de noções que define a sociedade muçulmana igualmente aos olhos tanto dos produtores quanto dos consumidores domesticados.

Noções que se resumem a violência, fanatismo, irracionalidade, emotividade, estagnação subordinação e despotismo.

Noções que são os pilares de uma ortodoxia que é popularizada pela mídia e sustentada por uma complexa rede de centros de poder e instituições.

Para desafiá-las alguém precisa abandonar o senso comum, se colocar na marginalidade, alinhar-se aos hereges e aos monstros de verdade.

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Soumaya Ghannoushi é uma escritora independente especialista na história das Percepções Européias do Islã. 
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Seu trabalho tem aparecido em vários dos principais jornais britânicos, incluindo o The Guardian e o The Independent.
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Traduzido “rushly” (apressadamente) e “pigly” ('”porcamente'”) 
por Guilherme de Alarcon Pereira
(insensato, marginal, herege e monstro; além de blogueiro sujo).
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Nasce Uma "Mita" Global | Rousseff - from Guerrilheira Aprisionada to A Mulher Mais Poderosa do Mundo

Fonte: Democracy Now! | 03 de janeiro de 2010
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Matéria/Entrevista (ING) completa ao final do post
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Brazilian President Dilma Rousseff:
From Imprisoned Guerrilla Fighter to
"The Most Powerful Woman in the World"

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"...o Brasil fez História com a posse de sua 1ª Mulher Presidente..."
"Por que você não nos conta a biografia desta, enfim, excepcional nova Presidente do Brasil? A história dela é espantosa! Dilma Rousseff..."

"Sim, indiscutivelmente, A Mulher Mais Poderosa do Mundo."

"...uma economista e administradora extremamente eficiente..."

"Ela construiu a infra-estrutura pública. Ela investiu pesadamente. Ela consolidou a ideia de que energia era um bem comum, um bem público."


"...ele basicamente mudou as regras do Sistema Internacional..." 

"E isso precisa ser dito:
Lula comandou
esta enorme revolução
no Sistema Internacional."


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CLIP | LEGENDAS EM PORTUGUÊS
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Durante toda a campanha eleitoral nos foi insinuado por ex-“democratas” aliados a “Demo”cratas que sustentaram e serviram diuturnamente à Ditadura que ceifou vidas e sonhos de gerações inteiras de brasileiros, uma degenerada (i)lógica insana de que seria uma ameaça para a democracia a eleição de exatamente alguém que colocou sua vida em total risco para trazê-la de volta ao Brasil.

A isso se chama subversão mitológica pela desconstrução da lógica.

Continuam a fazê-lo agora encobertos sob uma difusa névoa que “discute” o mito Lula.

Que coisa mais feia!

Bonito foi quando começou-se a usar em cartazes, páginas na Internet e camisas no peito, em vez da foto bonita preparada para a campanha, exatamente a foto da ficha espúria do DOPS contrastando com a promessa pátria de que “Verás Que Um Filho Teu Não Foge á Luta!”

Os ex-democratas até isso tentaram sujar repetindo a frase pátria no seu pós-réquiem insufla-rancor.

Durante toda a campanha, também, nenhuma menção jornalística ao evidente, gritante, retumbante, incandescente rastro brilhante de competência deixado pela então candidata durante toda a sua carreira.

A Secretária de Minas e Energia do único dos 27 estados da federação que se manteve aceso quando o Brasil apagou.

A Ministra que assumiu o Ministério do Apagão e entregou o Ministério Luz Para Todos.

Que entrou na Petrobras das plataformas que afundavam e saiu candidata do Pré-sal.

Que ofereceu, por fim, ao Brasil, um exemplo único de meritocracia na política ao se tornar a primeira técnica funcionária pública de carreira a chegar ao cargo máximo da República pela simples e sucessiva promoção por mérito de um cargo para o cargo imediatamente superior.

E seu último cargo, antes de ser indicada pelo Chefe e referendada pelos Acionistas nas urnas, era tão somente de Gerente-Geral do melhor Governo da História.

Mesmo assim, preferiram sofismar – ex-democratas e grande mídia – e desconstruir para reconstruir um mito tosco e torto de que o Exmo. Sr. Melhor Presidente da República a havia escolhido do nada, por súbito impulso ou falta de opção.

E ainda tiveram a infeliz infelicidade de presenteá-la com o impensado apelido de “poste”.

Como conhecem pouco de humor estes soberbos suburbanos metidos a europeus.

E menos ainda de energia, aliás, especialidade especialíssima dela, “a poste”.

Talvez, por isso, tenha se dado o tal apagão.

Eles nem sabiam que aos postes é dado isso mesmo: iluminar.

A nobre jornalista, ícone global do Jornalismo Investigativo e da Mídia Independente, Amy Goodman, e o Professor Greg Grandin da New York University sabem.

Como sabem também – e com que ênfase e empolgação destacam isso -, (mesmo amando e vivendo num país que sorriu para nossos conspiradores ditatoriais), o quanto é motivo de honra, admiração e orgulho para qualquer povo e para qualquer ser humano, uma mulher que foi capaz de no melhor da sua juventude arriscar a vida na luta armada contra a repressão, pela liberdade em seu país.

Na questão da competência gerencial, o Profº Greg Grandin foi além da comparação básica e gritante da gestão da Ministra de Minas e Energia com a gestão anterior, a gestão do “apagão” do Brasil. Uma comparação inevitável que, ainda assim, a mídia brasileira “apagou”.

Não, o Profº Greg Grandin foi mais fundo e mais longe ao traçar um paralelo entre os princípios bem-sucedidos que levaram a ainda Secretária das Minas e Energia a salvar o Estado do Rio Grande do Sul da escuridão que se abateu sobre todo o resto do território brasileiro e a falta de princípios que permitiu os usos e abusos da Enron nos Estados Unidos, levando a Califórnia – o estado mais rico do país – a uma sucessão impressionante de blecautes.

Sim. Assim como o Exmo. Sr. Presidente Lula da Silva, a Exma. Sra. Presidente Dilma Vana Roussef desponta como um mito (ou mita? Prefiro mito!).

Mas não um dos muitos falsos mitos sempre fabricados pelos ex-democratas, pseudo-democratas, proto-democratas, meta-democratas, seus cúmplices, convenientes e coniventes.

Ambos, o Presidente Lula e a Presidente (ou Presidenta? Como referência afirmativa, acho melhor Presidenta!) Dilma são e serão intrínseca, natural e inevitavelmente mitos.

Mas mitos com a História por lastro, créditos e credenciais à frente.

E o sacrossanto e imaculado direito a novas opções, confirmações ou correções divergentes de sua própria trajetória, no porvir.

Mitos com pessoas acima do mito.

Que bom ver esse reconhecimento, respeito, admiração e carinho.

Não só no Democracy Now!, mas espalhado todo dia por jornais e televisões mundo afora.

Como “nunca antes na história deste país”...

Por nosso Presidente em merecidas férias.

Por nossa Presidente que inicia seus oito anos de jornada.

Pelo Brasil.

Pelo Povo Brasileiro.

E pelo que o Brasil e nós, seu povo, podemos oferecer ao mundo.

Tomara um dia essas boas falas sobre nós mesmos ecoem por aqui.

FIAT LUX.

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MATÉRIA/ENTREVISTA COMPLETA (INGLÊS)
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VEJA TAMBÉM:

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  1. Dilma Guerreira da Gente Brasileira
  2. El Legado de Lula (Canal 7 - Argentina)
  3. Roussef takes the reins in Brazil (Al Jazeera)
  4. Brazil's Rising Star (CBS' 60') 
  5. Homenagem do Continente a Lula da Silva
  6. Honra ao Mérito
  7. Eu Vivi para Ver Meu Povo Virar Estrela
  8. O Homem Mais Sábio Que Conhecí em Toda Minha Vida...
  9. Um Momento Histórico "Ao Sul da Fronteira" | Nada parecido desde Bolívar!
  10. O homem que soube dizer 'não', 'por que não?' e 'sim, nós podemos'!
  11. A Falsa Democracia (por José Saramago) e A Força do Brasil
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